domingo, 4 de novembro de 2012

Elefante Blanco (2012)


Leonardo Boff (@LeonardoBoff) já anunciara Elefante Blanco, tempos atrás, indicação que hoje foi reforçada por Wilson Ramos Filho.

Com Ricardo Darín, "Elefante Branco" tem como temática os problemas vividos pelos moradores de uma favela de Buenos Aires, a Villa Virgen, nos anos 70, num repressivo cenário de tráfico, miséria e abandono.

Focado nos usuários de crack, sobretudo nos muito jovens, o diretor Pablo Trapero nos conduz a uma angustiante incursão por Villa Virgen através dos personagens de Ricardo Darín e Jérémie Renier, que vivem Julián e Nicolas, dois teólogos da libertação tentando fazer algo em favor da comunidade local, e da assistente social Luciana, vivida por Martina Gusman.

Julián (Darín) comanda os trabalhos com o auxílio de Nicolas, o padre francês vivido pelo ator belga Jérémie Renier, que, recém-escapado de um massacre junto aos índios amazônicos, vive um momento de intensa crise deflagrada pelo trauma e as culpas por ter sobrevivido em meio a tantos mortos.

Libertários, os teólogos se confessam e aconselham mutuamente em suas crises de fé, e se percebe que Julián está doente e pretende preparar Nicolas para substituí-lo na difícil liderança dos trabalhos junto á comunidade.

É belo o romance em que o padre Nicolas se enreda com a assistente social Luciana (Martina Gusman), que alivia as dores de ambos, ainda que aquele não pretenda desistir de sua vocação.

O filme é dedicado ao padre Carlos Mugica, cujo assassinato nos anos 70 até hoje não teve os motivos desvendados às claras, e traz emocionantes passagens verídicas sobre a história de Mugica.

O destaque de Trapero vai para a capacidade do padre Julián, que mesmo cansado e por vezes até desesperançado, opta por realizar seu trabalho no combate à pobreza e à miséria social, enfrentando tudo e todos, desde o alto comando da própria igreja católica, até as pressões dos grupos de traficantes, que refletem muito no comportamento dos moradores locais, e, também às fortes pressões policiais.

Elefante Branco é uma construção imensa, que seria um hospital anos antes, mas que, abandonada, está em ruínas e serve de abrigo e acolhimento para jovens usuários de crack que são recebidos pela equipe de protagonistas, seja porque querem ajuda, seja porque ali se refugiam para tentar salvar-se da morte certa que os espera nos limites da Villa Virgen.

Entre tiroteios constantes, e as feridas sociais expostas por Trapero, o filme se desenrola numa toada nem tão atormentada, como em Carancho (2010), mas que traz a grata surpresa de ter na trilha sonora a irreverente música “Las cosas que no se tocan”, da banda argentina “Intoxicados”, ponto em que Trapero acertou a mão e até contrapesa com alguma pasmaceira que permeia o roteiro.
O final de Julián tem um gosto de Mugica. A vida segue para Nicolas e Luciana que, parece, continuarão firmes na ideologia da libertação.

Darín é sempre Darín, ainda que não esteja assim tão Darín em Elefante Blanco.

A última cena é tipicamente de Trapero, ou seja, de repente acaba e ai você fica muito feliz que ente a música dos “Intoxicados:


Me gustan las chicas, me gustan las drogas 
me gusta mi guitarra, James Brown y Madonna 
Me gustan los perros, me gusta mi estéreo 
me gusta la calle y algunas otras cosas 
pero lo que más me gusta 
son las cosas que no se tocan 
Me gusta el dinero para comprarme lo que quiero 
me gustan las visitas para matar el tiempo 
me gusta esta luz, me gusta esta sombra 
me gustan los grupos que no están de moda 
me gustan los autos, los trenes, los barcos 
me gusta que al que espero no tarde más de un rato 
me gusta el arroz, me gusta el puchero 
me gusta el amarillo, el rojo, el verde y el negro 
pero lo que más me gusta 
son las cosas que no se tocan 
Por eso me gusta el rock.
                               




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