sábado, 29 de dezembro de 2012

INTOUCHABLES (2012)


INTOUCHABLES é um filme despretensioso baseado numa história de amizade construída sobre diferenças.  

Duas vidas diametralmente opostas: o tetraplégico aristocrático Philippe Pozzo di Borgo, vivido por François Cluzet, e o imigrante senegalês Abdel Yasmin Sellou, cujo personagem, Driss, é interpretado por Omar Sy.
      
Driss tem uma tradicional vida de imigrante negro na França, foi criado pelos tios, que lhe buscaram entre os muitos irmãos no Senegal, cuja tia/mãe sofrida viúva pobre lhe declara no início do filme ter desistido dele, diante de seu comportamento desviante (tem passagem por roubo, não trabalha, só aparece em casa uma vez ou outra, etc.).

Ao se candidatar a empregos apenas para conseguir os carimbos que lhe habilitem ao recebimento de um benefício previdenciário (vejam, na França também tem, não é só no Brasil!), Driss acaba chamando a atenção do milionário Philippe, que lhe oferece a vaga de trabalho para ser seu cuidador.

Driss está muito mais interessado no carimbo do que em trabalhar, mas acaba seduzido pela possibilidade de morar e desfrutar daquela confortável mansão, onde teria um quarto luxuoso com uma banheira só para si, enquanto na casa em que morava com a numerosa família, era aquele furdúncio.

O que se vê a partir daí é uma bela história de como duas pessoas podem se influenciar e transformar uma a outra, enriquecendo-se e somando-se ao acrescentar o que é diferente, o que é do outro e pode ser meu também.

Orquestrado de forma leve e saborosa pelos diretores Olivier Nakache e Eric Toledano, o filme segue uma trajetória irretocável nos conduzindo a uma doce aventura onde o relacionamento humano é harmonizado pelas diferenças.

É a história de uma profunda amizade onde ambos se libertam e libertam um ao outro através do que têm de melhor em si a partir de um olhar essencial desprovido de qualquer expectativa ou preconceito em relação ao que o outro possa ter de mais estranho e diferente.

Assim, Philippe passa por experiências de experimentação da maconha, conhece a música dançante de Driss, e se submete a sensações eróticas com massagistas asiáticas, tudo através do querer-se estar a encargo do outro, do disponibilizar-se para confiar no outro.

Driss, igualmente, quando nos damos conta, a partir do exato momento em que Philippe o liberta de sua função para que possa resolver problemas familiares, conduzindo-o à tarefa de orientar um irmão adolescente, passa a se mostrar mais erudito, gostando de arte e, mais, demonstrando ao irmão menor que na vida é preciso ter princípios.

Não há preocupação com engajamento social em lutas pelo respeito às diferenças, nem tampouco com o que tenha que ser considerado politicamente correto nesse aspecto; o filme É e ponto.


Philippe liberta e faz crescer Driss na medida da confiança e do afeto que nele deposita. Quando se dá conta, está, ele mesmo Philippe, liberto e evoluído como pessoa, pelas mãos do próprio Driss. É uma sintonia perfeita, um círculo virtuoso que se retroalimenta numa história que nos deixa de alma leve e renovada.

Intouchables (considerado o filme mais rentável da história da França) surpreendentemente não recebeu a esperada indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013.




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