domingo, 18 de janeiro de 2015

Boyhood - da Infância à Juventude (2014)

Ao som da belíssima Yellow, do Coldplay, o diretor Richard Linklater inicia o filme, que começou a rodar em 2002, nos conduzindo por três intermináveis horas que retratam o passar do tempo em tempo real.

Sim, porque Linklater passou 12 anos filmando Boyhood em segredo, reunindo a equipe por alguns dias, anualmente, para filmar algumas cenas.

O foco é o crescimento de Mason, interpretado por Ellar Coltrane, no qual, como em todos os personagens, vemos os efeitos do passar dos anos, diante do interessante projeto de Linklater, que lhe permitiu utilizar sempre os mesmos atores, em todas as suas distintas fases de vida.

A trilha sonora é deliciosa! Além de "Yellow", do Coldplay, o filme traz a "Band on the Run", de Paul McCartney, e outras coisas interessantes como Blink 182, Sheryl Crow, Daft Punk, Pharrell Williams, Foo Fighters, Wilco, Lady Gaga... E tem mais!

E a edição do filme é perfeita. Não há furos nesse costurar entre o tempo que se vai passando, de forma que podemos acompanhar, não só o despertar de um garoto para a vida adulta, numa transformação lenta e gradativa, como também a evolução de sua irmã, interpretada pela filha do diretor, Lorelei Linklater, e de seus pais, vividos pelos ótimos Patricia Arquette e Ethan Hawke, ambos indicados ao Oscar de Melhor Coadjuvante.

Além disso, Linklater concorre ao Oscar de Melhor Diretor e Boyhood, que no total teve seis indicações, concorre também aos prêmios de Melhor Filme,  Melhor Roteiro Original e Melhor Edição.

Apesar do filme ter levado o Golden Globe nas categorias Melhor Filme Dramático Melhor Direção, me parece difícil que consiga bater Birdman na academia, nos quesitos filme e direção, além de roteiro original.

Patricia Arquette, que também levou o Golden Globe como Coadjuvante, é séria candidata a levar a estatueta na mesma categoria, e não me espantará se o filme ganhar, também, o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, com Ethan Hawke. 

Boyhood dificilmente deixará de ganhar a estatueta de Melhor Edição, afinal, esse é o grande mérito de Linklater, ter costurado com tanta perfeição um filme rodado em 12 anos.

A temática da passagem do tempo é, sem dúvida, interessante, ainda mais se considerarmos
que A Teoria de Tudo, que também concorre ao Oscar de Melhor Filme neste ano, retrata a vida Stephen Hawking, o astrofísico que fez descobertas importantes sobre o tempo.

O roteiro é bom, ainda que nada tenha de extraordinário, Assim como o filme todo, que retrata o ordinário da vida de uma forma bela. Porém, o timing do filme é desfocado e não sei se porque a passagem do tempo traz informações que dizem mais para quem é norte americano, ou por sua própria duração, de três horas, a sensação que fica após o término é de que o filme é repetitivo e chato. Muito chato!

Mas fica também um gosto de beleza, de leveza, de se ter podido visualizar algo bastante sensível na conclusão inexorável de que o passar do tempo nos conduz aos términos...

E de que os términos podem representar novos começos.

Confira o trailer:





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