domingo, 15 de fevereiro de 2015

Still Alice (2014)

A história de um genético e precoce Alzheimer, que acomete uma cientista do mundo da linguística, já rendeu a Julianne Moore o Golden Globe de Melhor Atriz e pode render-lhe, também, o Oscar da categoria, para o qual está indicada.
 
E não sem merecer!
 
O filme é baseado no romance homônimo de Lisa Genova, que conta a história de Alice Howland, professora de linguística da Universidade da Columbia, com uma saudável vida familiar, que é diagnosticada com um tipo raro de Alzheimer.
 
Os diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland oferecem uma direção singela e honesta, sobre um tema que não raro tem sido abordado pelo cinema, e o elenco é grandioso, com Alec Baldwin ,  Kristen Stewart e  Lydia Howland interpretando o marido e filhas de Alice. Porém, é Julianne Moore quem transforma o filme em algo realmente especial.

Julianne Moore já venceu quatro dos cinco prêmios para o qual foi indicada como melhor atriz por Still Alice, só faltando mesmo agora vencer o Oscar.

Casada com o Dr. John Howland (Alec Baldwin), com quem tem três filhos adultos, Alice busca alternativas para driblar a doença, como mulher inteligente que é, e vai nos mostrando de forma pungente, a forma como vivencia emocionalmente o drama que a assola.

Julianne Moore faz isso de forma tão intensa e, ao mesmo tempo, delicada, que nos toca profundamente. Assim, não é difícil se perceber em lágrimas durante o filme, mesmo inexistindo, no filme, qualquer  artifício emocional.

Destaque para a cena em que a professora Alice, já afastada de suas atividades acadêmicas por conta da doença, volta à academia, com um  pequeno discurso que levou três dias preparando, e recita o poema "A Arte de Perder", de Elizabeth Bishop.

Mas o que nos toca, sobremaneira, é o fato de uma linguista apaixonada pela Comunicação, ter que se render à algo para o qual ainda não encontramos a cura e que nos priva exatamente do que era mais caro a Alice: suas funções cognitivas.

Em um dado momento do filme, Alice confessa: "eu preferia ter câncer!"

A despeito de tamanha crueldade, que perpassa o drama, pela ironia de se ver acometida pela degeneração daquilo que lhe era mais caro, o que mais comove em Still Alice, é justamente o modo como ela utiliza sua inteligência até o final, até não poder mais, numa espécie de embate brutal, onde combatem na arena a doença e a inteligência humana.

E esse combate é interpretado com tamanha competência por Julianne Moore, em cada expressão, olhar, sorriso ou suspiro, que, em cada gesto de Alice a gente consegue sentir, apesar de tudo, o triunfo da capacidade humana em sobrepujar as perdas que nos são impostas.

Julianne Moore merece o Oscar!


A arte de perder
(Elizabeth Bishop)

 A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subsequente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério 
 
Confira o trailer:
 
 
 
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