quarta-feira, 4 de setembro de 2013

FLORES RARAS (2012)

FLORES RARAS é sem dúvida um belo filme, mas muito previsível. No conjunto da obra o que se destaca mesmo é a atuação impecável de Glória Pires, uma puta atriz que se entrega às cenas de um modo espantoso e intenso, além de refletir perfeitamente a carioca liberada, rica e talentosa dos anos 60/70.

Lota, interpretada por Glorinha, ganha ares de intrepidamente amoral, Mas, oh, não, que pena, ela é um homem! Em tudo e por tudo um homem... Poderia ser uma mulher que ama outra mulher, mas, não, ver ali um homem para mim foi muito decepcionante e, até, eu diria mais, um fardo... Ela só se comporta como uma mulher ao final, mas ai já acaba o filme e Bruno Barreto fica me devendo alguma coisa que não sei bem dizer o que é.

Lilás, Bruninho Barreto, a única cena na qual efetivamente pude ver sua mão foi aquela do vidro, em que Bishop e Lota se amam pela primeira vez naquele magnífico cenário em Petrópolis e Lota está encostada naquele vidro como se estivesse no vácuo; no mais, sem grandes apontamentos para o  diretor.

O diretor de fotografia foi legal com a gente e muito generoso, mas são cenários que falariam ainda que fotografados por uma criança, sim, o Rio de Janeiro continua lindo e Petrópolis é algo assim indizível!

A trilha sonora foi bacaninha, também, com destaque pra Blue Velvet e Sábado em Copacabana.

Li por ai que Miranda Otto, atriz australiana que fez o papel de Bishop, teve “medo de expor demais a vida de alguém que era extremamente contida" e, de fato, dá pra sentir mesmo nela esse medo numa interpretação de alguém que não se joga, não se entrega a personagem, ainda que seja para viver alguém contida.

Tampouco conseguiu me convencer a força do relacionamento de Bishop com a poesia, aquilo que Barreto considera o foco do filme, uma vez que, na realidade, foi maior que seu relacionamento com Lota (a não ser pelo fato de ela ter deixado o Rio e voltado a ensinar poesia nos EUA, dedicando-se amorosamente a uma aluna...) e até mesmo com o studio no platô preparado pela arquiteta, do que com a própria poesia (até me espantei quando veio a notícia de que ela ganhou o Pulitzer, pois não a tinha visto, no filme, poeta!).

O filme está mais ou menos bem situado historicamente, com aquela presença poética de Carlos Lacerda e a gente consegue saber em que tempos a história está se passando.

Oscar de Melhor Atriz para Glória Pires (a americana Tracy Middendor, que interpretou Mary Morse, pode tranquilamente ficar com o de Melhor Coadjuvante). Talvez o filme receba uma indicação de Melhor Estrangeiro, por conta dessa atenção ao idioma inglês (que Glorinha pronuncia barbaramente!) e por se tratar de uma poeta americana comparada a Emily Dickinson (Dickinson, para mim a melhor entre as melhores!).

No mais, estou indo embora! Agora já podem me chamar de lagartixa, mas, por favor, esperem que eu tome uma certa distância para começar a atirar as pedrinhas.
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