sábado, 16 de junho de 2012

Violeta se fue a los cielos


Gente, que personalidade tinha essa mulher! O diretor Andrés Wood, que também participou da elaboração do roteiro, com a colaboração de Ángel Parra, o filho de Violeta que também é músico, nos mostra uma mulher que sofreu, viveu e amou intensamente, alcançando reconhecimento mundial como artista.

Com locações no Chile, na Argentina e na França, VIOLETA SE FUE A LOS CIELOS (2011) foi o representante chileno indicado para concorrer ao Oscar (pena que acabou não ficando entre os concorrentes), mas levou o Goya de 2012 na categoria de Mejor Película Iberoamericana.


Sua infância na provincia de Ñuble, sua relação com o complicado e sensível pai músico e professor (a mãe, índia, parece ter morrido cedo), a perda de uma filha bebê quando estava viajando para a Polônia, a pobreza, suas andanças com o filho Ángel pelo interior do Chile a buscar canções populares chilenas para impedir que fossem esquecidas, sua visita aos mineiros chilenos, com um circo, onde Violeta cantava com sua irmã, sua exposição de quadros e tapetes no Louvre, a filha Carmen Luisa, a tenda construída em um terreno doado pelo prefeito para que ali ela pudesse viver e mostrar sua arte e a grande paixão pelo suíço Gilbert Favre, tudo com a forte interpretação de Francisca Gavilán e permeado por uma entrevista que Violeta deu à televisão argentina, em 1962.


Belíssimas canções de Violeta Parra interpretadas no filme, pela atriz Francisca Gavilán, só que, neste particular, minha frustração foi imensa, pela falta de Gracias a la Vida e Vivan los Estudiantes.

Eu não sabia que era dela Volver a los 17!

Fiquei, também, me perguntando, em que momento de sua vida Violeta deu Gracias, pois no filme não conseguimos localizar sequer um momento de bonança e ventura que não tenha sido curto demais para agradecer...

Também me perguntei se o "cuando miro al fondo de sus ojos claros" Teria sido para os verdes olhos de Gilbert, uma vez que o filme se calou sobre todos os outros amores de Violeta Parra.

Uma mulher imensamente singular. Terna e revoltosa ao mesmo tempo, com um senso incrível de amizade e solidariedade, na entrevista à tv argentina, o entrevistador lhe pergunta se, como estava indo para a Polônia, ela era comunista. Violeta, como Che, responde: "Siiiim, eu sou tão comunista que quando eu me corto o meu sangue sai vermelho!", ao que o entrevistador responde: "Mas o meu sangue também sai vermelho, Violeta!"; ela, então, se levanta e aperta a mão do entrevistador dizendo: "Oh, como vai, camarada?"

A interpretação da música Gavilán, poucos minutos antes do suicídio, após o fim do romance com Gilbert, bem mais jovem que ela, é um grito de revolta contra tudo o que oprime e reprime: choca, pela crueza e pela dor.

Eu recomendo, muito!

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