domingo, 6 de janeiro de 2013

O AMANTE DA RAINHA (2012)

Há homens que literalmente perdem a cabeça por causa do amor de uma mulher.

O fraquinho dinamarquês O Amante da Rainha, infelizmente, não consegue nos passar maiores reflexões do que esta.

É certo que a questão dos valores humanistas, presentes no censurado Iluminismo na Dinamarca, à época dos fatos (século XVIII), tenta emprestar alguma nobreza de valores ao filme, mas, ao final, você percebe mesmo é que assistiu a mais um filme de reis e rainhas, com alguma questionável informação histórica sobre a Dinamarca.

Nem a música, a fotografia e o figurino, recursos mais utilizados pelo diretor Nikolaj Arcel  conseguem arrebatar-nos.

É a história da inglesa Caroline Mathilde (Alicia Vikander), que muito jovem se torna rainha da Dinamarca ao ser desposada pelo rei totalmente bipolar, Christian XVII (Mikkel Boe Følsgaard) e seu romance com o provinciano médico alemão Johann Struensee (Mads Mikkelsen) (aliás, que beleza nórdica, a de Mikkelsen! Seus traços faciais valem o filme!).

Resumidamente, ao chegar da Inglaterra, a rainha se depara com uma Dinamarca nojenta, atrasada e preconceituosa. Quando o Dr. Struensee é chamado para cuidar da loucura do rei, a rainha, que já lhe dera um herdeiro (Frederik), acaba se identificando com o médico, que, como ela, é defensor de ideias iluministas.

Os dois se apaixonam e, como o médico passa a exercer forte influência sobre o rei, conseguem implantar ideais humanistas na Dinamarca, abolindo a censura, a tortura e implantando ações sociais que beneficiam o povo.

Porém, após a rainha engravidar do médico e dar a luz a Louise Augusta, parte mais conservadora do reino, aliada à própria mãe do rei, dão um golpe e fazem a Dinamarca voltar para a idade das trevas.

Caroline é deportada para a Alemanha e condenada ao exílio eterno, onde morre jovem, não sem antes deixar uma carta escrita para o casal de filhos, que nunca mais veria, contando toda a sua história, que é a narrativa do filme, muito fraquinha, por sinal.

O mais bonitinho é saber, ao final do filme, que a carta escrita pela mãe mudou o destino daquele país, ao ser lida pelos filhos em 1783.

Após ler a carta, Frederik e Louise Augusta, a quem a mãe se dirige na carta como “a melhor esperança da Dinamarca para um futuro melhor”, se dirigem ao quarto escuro onde na cama está sentada a avó, e abrem a janela, deixando entrar uma forte luz do dia, antevendo a adesão da Dinamarca ao Iluminismo, pela mão dos dois jovens.

O filme acaba e você tem a informação de que, com a ajuda de seu pai, Frederik organizou um golpe e tomou o poder aos 16 anos de idade (bom garoto!), banindo da corte o conselho de traidores e reinando durante 55 anos com a restauração das ideias outrora implantadas por Struensee, o amante da rainha e, indo mais longe, com a abolição da escravidão, que libertou os camponeses.

Em matéria de história real, eu prefiro Branca de Neve e os 7 Anões. Em matéria de fatos históricos, fica, sim, um gostinho na boca, uma vontade de que alguém faça um filme sobre a real história da Dinamarca, sobretudo sobre o longo reinado de Frederik e a implantação das ideias iluministas naquele país.

Não causa espanto que Mikkel Boe Følsgaard tenha ganhado o prêmio de melhor ator no último Festival de Berlim, interpretando o rei louco. O que espanta é que O Amante da Rainha tenha levado o prêmio de melhor da categoria, no mesmo festival e que tenha sido indicado ao Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro.


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