sábado, 8 de fevereiro de 2014

12 YEARS A SLAVE (12 ANOS DE ESCRAVIDÃO) – 2013

Forte favorito ao Oscar de Melhor Filme em 2014, 12 Anos de Escravidão baseia-se na história real escrita em 1853 por Solomon Northup, um homem negro, livre, que tinha uma bela família e gozava de excelente posição social em sua comunidade, ao norte dos Estados Unidos, mas foi escravizado após ter sido atraído por uma falsa proposta de trabalho.

Solomon era músico, violinista, e acabou sendo enredado por pessoas que se diziam apreciadoras de seu trabalho e queriam contrata-lo, mas reduziram-lhe a um escravo, levado para longe de sua família e comercializado em um mercado juntamente com outros escravos, ainda que fosse um homem livre.

Os fatos se passam em 1941 e Steve McQueen, que também é um homem negro, nos oferece um filme de grande beleza e sensibilidade; um drama pungente que nos comove e choca.

Steve McQueen é um dos indicados ao Oscar de Melhor Direção.

A interpretação de Chiwetel Ejiofor faz de Solomon Northup é perfeita e a indicação ao Oscar de Melhor Ator pelo papel é acertada.

Algo no filme, entretanto, deixa na boca um sabor amargo em relação ao tema... Há, em 12 Anos de Escravidão, uma espécie de afirmação sub-reptícia em relação à subserviência da alma no negro.

Solomon Northup, ao longo do filme, vai se despindo de sua condição de homem livre e de seus atributos aristocráticos e se vestindo com a condição de escravo de um modo muito tocante e servil.

É certo que, em se tratando de uma história real, escrita pelo próprio Solomon, talvez não tenha restado muito a fazer por Steve McQueen neste sentido, mas, o grande pecado do filme é manter a passividade de Solomon como um homem vitimizado, que vai aceitando seu flagelo e cujas resistências se desarmam a cada nova chibatada e sofrimento.

E por falar em sofrimento, Michael Fassbender está glorioso na pele do fazendeiro que lhe impinge os maiores sofrimentos e merece muito o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para o qual foi indicado.

John Ridley assina o roteiro e declarou que o escreveu de graça: “Não havia orçamento definido para produzir o longa, então eu disse que encararia como um projeto experimental, o que significa que trabalhei de graça. Porque mistérios insondáveis isto terá influenciado na submissão de Solomon em seu roteiro, somente Freud poderia explicar...

Destaque importante também para Lupita Nyong'o na pele da frágil escrava, Patsey, preferida sexual do fazendeiro exposta ao sadismo de sua esposa e aos ataques violentos do senhor de escravos. Lupita é estreante, mas tenho a impressão de que ainda ouviremos muito seu nome. Sua participação no filme lhe rendeu a merecida indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. 

Quando tudo termina, mesmo com a catártica libertação de Solomon e seu reencontro com a família, fica aquela desagradável sensação de submissão humana, aquela a qual nos sujeitam e a qual, também, estranhamente, nos deixamos sujeitar.

Ah, Brad Pitt faz uma ponta no final do filme, como o advogado canadense que ajuda Solomon a recuperar sua liberdade. É uma bela ponta.

12 Anos de Escravidão tem 9 indicações ao Oscar de 2014: Melhor Filme, Diretor, Ator (Chiwetel Ejiofor), Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong'o), Roteiro Adaptado (John Ridley), Figurino, Montagem e Design de Produção.



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